X-Ray: contos instigantes que traduzem a Índia



Os estranhos que se conhecem num trem: terceiro episódio (foto: divulgação)


Conhecia o trabalho de Satyajit Ray (1921-1992) como diretor de clássicos do cinema indiano, a exemplo de Pather Panchali e O Mundo de Apu, ambos da década de 50. Mas desconhecia seu lado de escritor - e foi o que me levou a assistir a X-Ray, na Netflix. Trata-se de uma série com quatro episódios inspirados em contos de Satyajit Ray.


São capítulos independentes e uns têm melhor resultado que outros. Gosto do início do primeiro. Em Não Me Esqueças, Ipsit (Ali Fazal) é um executivo arrogante que, ao encontrar uma mulher num bar de hotel, não lembra de onde a conhece. Mas ela sabe exatamente tudo a respeito da vida dele. Diz, inclusive, que tiveram um breve romance meses antes de ele se casar. Como acredita ter sido fiel à futura esposa, fica agressivo e, aos poucos, vai perdendo o controle nas situações mais corriqueiras. O desfecho da história, embora visualmente atraente, é confuso.


Me agradou mais Impostor, um conto de mistério, suspense e drama, a respeito de um maquiador de cinema que é humilhado por seus colegas de trabalho. Sua vingança é escorada no nonsense, com uma pitada do misticismo indiano.


Igualmente instigante é Por que Todo Esse Tumulto?, sobre dois estranhos que, numa viagem de trem, ficam amigos, embora já tenham se cruzado no passado. O desenrolar da trama tem boas reviravoltas e há certo humor na relação que se estabelece entre o cantor famoso e o jornalista esportivo.


Centro das Atenções, o derradeiro episódio, flagra um astro do cinema (Harshvardhan Kapoor) que se hospeda num hotel luxuoso para a gravação de um filme. Só que sua suíte, onde ficou a cantora Madonna, é ocupada por Didi, uma mulher adorada pela população que a vê como uma divindade. Tem momentos esotéricos e uma leveza agradável.



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