Noite de Reis: o indicado ao Oscar da Costa do Marfim


O novato chega à prisão: uma noite de histórias para entreter os detentos (foto: divulgação)


Noite de Reis, disponível no streaming do Telecine, foi o filme escolhido pela Costa do Marfim para representar o país no Oscar 2021. Ficou de fora por motivos óbvios: é um trabalho de difícil digestão e muito centrado no universo de rituais de um cárcere africano.


Tudo se passa num dia e há só uma locação (exceto por raríssimos flashbacks). Um rapaz chega à Maca, prisão no meio da floresta comandada pelos próprios detentos. Duas facções disputam o poder, mas o líder atual, que está doente e deve se matar em breve, escolhe o novato como o "Roman", uma espécie de contador de histórias que deve animar a galera na noite de lua vermelha.


Ao narrar a trajetória de um criminoso, o Roman (Bakary Koné) vai ganhando a confiança dos outros, que improvisam uma encenação teatral. Nos bastidores, há as tramoias em nome da liderança em Maca. Mas não pense em se tratar de algo do peso de Carandiru ou da efervescência de Cidade de Deus, não à toa citado em Noite de Reis.


Nada contra o exotismo da filmografia estrangeira, mas Noite de Reis tem algo de singular que não empolga. Em alguns momentos, é até previsível. Conta pontos, porém, a realização do marfinense Philippe Lacôte, que consegue concentrar a ação em celas e corredores escuros num detalhista planejamento sem respiro para improvisações.



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