Doutor Gama seria ainda melhor como minissérie


César Mello interpreta o personagem na maturidade: advogado de escravizados


A importância histórica de Luís Gama (1830-1882) é imensa e Doutor Gama, disponível no Globoplay, consegue, em parte, dar a relevância que o abolicionista merece. Jeferson De, que antes comandou o ótimo M-8 - Quando a Morte Socorre a Vida (na Netflix), é um cineasta negro e o nome certo para dirigir a história do notável jurista.


O roteiro é dividido em três partes. Aos 10 anos, Luís foi vendido pelo pai branco para pagar dívidas de jogo. Escravizado, Luís, na juventude, virou empregado numa fazenda e é tratado por seu senhor "como se fosse da família". Mas é um estudante de direito que muda seu destino. Abolicionista, Antônio (Johnny Massaro) alfabetiza o novo amigo, que se interessa cada vez mais por literatura. Da educação, desponta a liberdade.


No terceiro (e maior) ato, Gama virou um advogado que passa a defender escravos nos tribunais. Um de seus clientes está sendo acusado de matar o patrão. Em entrevista coletiva virtual, o diretor disse que esse caso é uma amálgama de alguns trabalhos defendidos por Gama.


Pedro Guilherme, Ângelo Fernandes e César Mello, os atores que fazem o protagonista nas três fases, defendem bem o papel. O roteiro consegue, em apenas 90 minutos, dar uma noção de quem foi o doutor Gama. Mas, se fosse uma minissérie, sua história poderia ser melhor desenvolvida.


A infância é contada rapidamente. Sua mocidade ganha estofo, mas termina repentinamente. E, na maturidade, o filme fica focado num só assunto.


Gama não se formou em direito - foi autodidata. Trabalhou como jornalista, serviu o Exército e atuou na Guarda Municipal de São Paulo. Ok, são detalhes que, num formato maior, renderia ainda mais curiosidade e conflitos.



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