Jesus Kid: anarquia em um Brasil conservador


Paulo Miklos é Eugênio: escritor isolado num hotel


2021 foi de Aly Muritiba, o diretor que, no ano passado, lançou a excelente série documental O Caso Evandro, no Globoplay, o ótimo filme Deserto Particular (na HBO Max), indicação do Brasil ao Oscar, e esteve no Festival de Gramado com Jesus Kid, que saiu premiado com os troféus de melhor direção, roteiro e ator coadjuvante, para Leandro Daniel. Jesus Kid teve lançamento simultâneo: está em cartaz nos cinemas e pode ser alugado em plataformas, como o NOW.


Mas talvez o maior nome por trás do filme seja Sergio Marone. Foi o ator quem comprou os direitos do livro de Lourenço Mutarelli, é um coadjuvante de peso e atua como produtor executivo.


Me diverti com a história de Eugênio (o ótimo Paulo Miklos), um escritor de livros de faroestes que tem como protagonista o tal Jesus Kid, papel de Marone. Ao apresentar um novo romance com o personagem para seu editor, ele encontra um censor do governo, que o proíbe de fazer histórias com o rebelde e justiceiro Jesus.


Entre escrever uma biografia do presidente (Bolsonaro?), Eugênio prefere agarrar outra oferta: ficar isolado num hotel por três meses para escrever o roteiro de um filme. Jesus Kid aparece em seus delírios para trazer um pouco de anarquia à sua vida - e à história. O premiado Leandro Daniel interpreta o recepcionista do hotel e, realmente, dá um show à parte.


Por mais que repita situações, o roteiro tem humor espirituoso, brinca com a metalinguagem, com a indústria do cinema e, delícia!, faz uma ácida crítica ao Brasil conservador de hoje. E é muito bom ver Aly Muritiba navegar por outras praias, além dos dramas de Para Minha Amada Morta, Ferrugem e Deserto Particular.



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