Elvis Presley: um ídolo de virtudes e sem pecados


Foto de Elvis na Alemanha: alistamento no Exército em 1958 (foto: divulgação)


Demorei um pouco para ver Elvis Presley - The Searcher, documentário em dois episódios, que estreou na Netflix no início de junho. Gosto de algumas canções de Elvis, conhecia um pouco de sua trajetória, mas não sou fã. Me lembro, quando criança, de sua morte, em 1977, aos 42 anos. Foi um choque!


Com três horas e meia de duração no total, o filme faz um registro notável de sua carreira, mas deixa a desejar em quesitos mais íntimos, como sua relação com Priscilla Presley, sua ex-mulher e produtora executiva do documentário.


Elvis nasceu em Tupelo, Misssissippi, e mudou com a família para Memphis, no Tennessee, aos 13 anos. Era filho único de Gladys, que perdeu o gêmeo de Elvis no parto. Incentivado pela mãe, cresceu na música, ganhou concursos e lançou seu primeiro disco em 1954, por Sam Phillips. A ideia do produtor era que Elvis levasse a música negra para o público branco nos racistas estados do sul norte-americano. Sua mistura de country music e rhythm and blues deu muito certo.


Sua história na música é vista em imagens (algumas raríssimas) de programas de TV e fotos. Os depoimentos dos entrevistados são apenas em áudio e ilustrados com cenas de época. Elvis também fez carreira no cinema, alternando sucessos de crítica e público com a mesmice em trabalhos dispensáveis. Há elogios atuais dos cantores Tom Petty e Bruce Springsteen e breves entrevistas de Elvis, algumas realizadas antes e depois de seu alistamento no Exército, em 1958. No auge do sucesso, o cantor serviu dois anos na Alemanha, onde conheceu Priscilla.


Eles se casaram em 1967, tiveram uma filha, Lisa Marie, nascida um ano depois, e se separam em 1973. É Priscilla quem conta detalhes mais particulares, como o amor que Elvis tinha pela mãe e com quem passou a viver na mansão Graceland que, desde 1982, virou um museu.


Como Priscilla é produtora e domina muito a narração, fatos são ocultados. Comenta-se, brevemente, o uso de tranquilizantes para dormir e o ganho de peso de Elvis. Nada se fala sobre infidelidade conjugal ou outros casos românticos antes de conhecer sua esposa. Sua posição política também é ignorada. Elvis é visto como um ídolo de virtudes e sem pecados.


Priscila parece mais interessada em jogar a culpa do excesso de trabalho, que teria acarretado problemas de saúde no ex-marido, em Coronel Parker (1909-1997), empresário de Elvis desde 1955 até sua morte.


Elvis - The Searcher, realizado em 2018, é um baú de recordações, mas, para usar uma expressão bastante atual, passa pano na vida íntima do Rei do Rock. Além de não entrevistar sua única filha, o desfecho me deixou frustrado. O filme acaba abruptamente, sem imagens do funeral nem revelar a causa de sua morte. Elvis continua um mistério.



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