Elize Matsunaga: crime ganha riqueza de detalhes


Marcos e Elize Matsunaga: revelações nos quatro episódios (foto: divulgação Netflix)


Quando vi duas estrelas de um jornal paulistano para Elize Matsunaga - Era Uma Vez um Crime, confesso que desanimei. Mas o crítico que me desculpe: há muitas qualidades para dar uma cotação melhor para a série documental da Netflix.


Eu pouco lembrava do crime. Sabia que Elize havia matado o marido, herdeiro do grupo Yoki, e esquartejado o corpo. Talvez, por isso, os quatro episódios tenham me atingido com uma saraivada de surpresas.


O alvoroço que a Netflix fez em torno da série é que seria a primeira entrevista de Elize após o assassinato. Isso, é claro, traz um grande diferencial. Aproveitando sua primeira "saidinha" da penitenciária de Tremembé, a diretora Eliza Capai consegue extrair um longo depoimento de Elize e flagrar suas visitas à tia, à avó e gravar cenas num cabeleireiro ou numa floresta.


Lembra do crime? Em 2012, Elize descobriu uma traição do marido e, após uma discussão, pegou uma arma e matou Marcos Matsunaga. Ela foi acusada do crime, julgada em 2016 e está presa desde então. Não vou me prolongar porque, a partir daí, terá spoilers.


O roteiro é muito honesto em apresentar algumas versões da história. De um lado, os amigos, o promotor e os advogados da família Matsunaga (não há entrevistas com os pais da vítima). Na outra ponta estão o casal de advogados de defesa e a tia de Elize. No meio deles, a imprensa que cobriu o caso - e todos nós.


A série, de forma positiva, te leva por vários caminhos. Embora queira, sim, tornar Elize mais, digamos, "humana", aproveita para mostrar como funcionavam (ou funcionam) a justiça e a sociedade, ambas machistas. Fosse um homem a cometer feminicídio, será que a repercussão seria tão gigantesca - é o que (se) pergunta Elize?


Recheada de material de arquivo, Elize Matsunaga - Era Uma Vez um Crime não fica nada a dever às produções de outras nacionalidades que estão na Netflix. A apuração e a escolha de entrevistados são satisfatórias, a parte técnica (destaque para a montagem!) é ótima e o detalhamento do caso criminal consegue um resultado superlativo. Ela não tem os "ganchos" surpreendentes de O Caso Evandro, mas, para um crime ainda fresco na memória, conquista pela realização competente e fluidez narrativa.



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