First Cow é um precioso drama sobre o valor da amizade


Foto: divulgação


First Cow, que recebeu no Brasil o infame subtítulo A Primeira Vaca da América, foi saudado pela crítica americana como um dos melhores filmes de 2020, surgiu em premiações do cinema independente, mas foi ignorado pelo Globo de Ouro e o Oscar. O filme está disponível na MUBI.


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A diretora Kelly Reichardt faz um trabalho delicado, precioso e minimalista para retratar uma amizade inesperada e improvável nos Estados Unidos da década de 1820. Cookie (John Magaro) é o cozinheiro de um grupo de caçadores de peles e em busca de ouro. Como não se adapta ao modo de vida, ele deixa o bando e finca raízes num vilarejo rústico do Oregon. Orion Lee é "o chinês", um cara enrolado, talvez inventivo demais, mas com a sonhadora visão de um empreendedor. Os dois vão se unir com um objetivo: ganhar dinheiro e prosperar.


A maneira encontrada é fazer uma espécie de bolinho de chuva, que vira sensação no improvisado centrinho comercial. O leite, porém, é ordenhado de uma vaca que pertence a um negociante - e o furto confira em crime num território sem lei.


Para mim, o filme só engrenou mesmo a partir do momento em que surge a ideia do negócio (um pouco antes da metade). Até lá, a diretora, embora faça um registro de época detalhista, embaça a narrativa com situações que não são tão relevantes.


Importa mais o que significa o valor da união entre o americano errante e o perseguido imigrante chinês, ambos perdidos numa terra inóspita e já na esperança do "american dream".


A fotografia é soberba, às vezes propositalmente escura, já que a iluminação é feita à luz de velas. Os atores têm presença marcante. A amizade entre os personagens traça o destino deles, fadados da ascensão à queda, tal qual um reflexo do que ocorre mais de duzentos anos depois.



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