Correndo Atrás: as cores do Brasil numa comédia pálida


Juan Paiva e Aílton Graça (foto: divulgação)


Correndo Atrás, que estreou diretamente no Telecine, poderia render um bom registro sobre futebol, um esporte que, até hoje, é carente de excelentes registros ficcionais no Brasil, o país do... futebol! Além de estar na grade de programação do Telecine, a comédia pode ser vista pelo Telecine via NOW.


É o terceiro filme do diretor Jeferson De em menos de um ano. O drama M-8 - Quando a Morte Socorre a Vida estreou no fim de 2020 (e já está na Netflix) e, em julho, chega às telas Doutor Gama. Correndo Atrás é anterior a ambos - sua produção é de 2018.


Baseada no livro Vai na Bola, Glanderson, de Hélio de La Peña, a trama é focada em Ventania (Aílton Graça), um ex-jogador de futebol que, agora, ganha uns trocados como vendedor ambulante. Está com a pensão do filho atrasada e vive em atritos com a ex-mulher (Juliana Alves). Mas eis que surge uma luz no fim do túnel para sair do buraco financeiro: ser empresário de Glanderson (Juan Paiva), um jovem e promissor boleiro.


Correndo Atrás tem a cara e as cores do Brasil. É um retrato do brasileiro que vai em busca do sonho, mesmo que para isso tenha que mentir, fingir, trapacear, ou seja, usar o nosso famoso "jeitinho". O elenco, assim como o diretor, é majoritariamente negro, o que traz ainda mais representatividade ao cinema nacional. São boas as atuações de Aílton, Juliana, Dadá Coelho (a manicure), Tonico Pereira (o barbeiro) e Lázaro Ramos, numa participação mais do que especial.


O que falta, então, para Correndo Atrás ser um bom filme? Um roteiro mais consistente. Embora algumas situações iniciais espelhem a realidade, a trama toma um rumo pouco provável. Antes promissor, o filme ganha reviravoltas previsíveis e um desfecho próximo do banal. E a derradeira cena é tão constrangedora que adquire humor involuntário.



INSCREVA-SE aqui para receber a Newsletter






















59 visualizações

Posts recentes

Ver tudo