Sweet Tooth é muito mais que uma série graciosa


Foto: divulgação


Vi o primeiro episódio de Dom, no Amazon Prime Video, que não me empolgou. Troquei para a Netflix e lá estava, em primeiro lugar no top 10, a série Sweet Tooth. Dei uma chance - e gostei!


Achava que era algo infantil demais, fantasioso demais, um futurismo que não cai no meu gosto pessoal. Quebrei a cara!


A série tem vários pontos que combinam com os tempos pandêmicos de hoje. Um vírus matou grande parte da população mundial e os bebês nascidos na mesma época (ou um pouquinho antes) são chamados de híbridos - eles são metade humano/metade animal. E assim é Gus (Christian Convery), levado para viver numa floresta pelo pai (Will Forte), que está fugindo de caçadores que querem exterminar as "aberrações". Gus foi criado como um menino normal, aprendeu a falar, a ler e a escrever, porém tem a galhada e as orelhas de cervo, além do olfato apuradíssimo.


Seu destino, ao atingir os dez anos de idade, será outro. Ingênuo, Gus sairá do isolamento e passará a conviver com Grandão (Nonso Anozie), que desistiu de caçar os híbridos e se incumbe, a contragosto, de uma missão: fazer com que o garoto encontre sua mãe no distante Colorado.


Fomos obrigados, desde março de 2020, a conviver com quarentena, distanciamento social, máscara cirúrgica e vírus letal - e Sweet Tooth tem todos esses elementos presentes num devastador cenário pós-apocalíptico. O roteiro, extraído da HQ de Jeff Lemire, ainda traz temas como experiências genéticas e o totalitarismo num ambiente distópico.


Está nas entrelinhas, porém, seu maior valor. Os híbridos são segregados, perseguidos e aniquilados - mas o que eles querem é apenas compreensão por serem diferentes. É uma bela dica a quem despreza com ódio e repulsa as pessoas que são "diferentes" na nossa real sociedade.


Duas perguntas que não querem calar. Tem desfecho? Não! Há vários ganchos e muitas perguntas deixadas no ar. Ou seja: uma segunda temporada precisa sair do papel.


É para crianças? A série é estrelada por um menino, aliás muito gracioso e talentoso, e tem situações que a garotada vai se identificar. Trata-se, contudo, de um drama com momentos pesados, embora as cenas de mortes ou mais violentas sejam apenas sugeridas. Eu indicaria para crianças acima dos 10 anos, a idade do Gus, o protagonista.



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