Biografia de Isabel Allende é pobre, mas muito envolvente


Daniela Ramírez interpreta Isabel Allende


Isabel Allende é a escritora chilena viva de maior alcance mundial. Embora seus romances, em sua maioria, sejam ficcionais, já li que sua vida daria um filme. E deu! Mas não apenas um longa-metragem e, sim, uma minissérie. Isabel está no Amazon Prime Video.


Confesso que esperava mais. Pela fama e carreira de Isabel Allende, a escritora merecia uma produção mais bem-acabada.


São apenas três episódios para dar conta desde a infância até os 50 anos de Isabel (ela tem 78). O roteiro marca as principais passagens de sua vida, começando na década de 60 quando, ainda uma dona de casa no Chile, casada e mãe de uma garotinha, foi convidada para escrever para uma revista feminina. Seus artigos feministas fizeram tanto sucesso que Isabel migrou também para o teatro. Mas veio a ditadura de Pinochet, em 1973, e Isabel passou a ajudar os ativistas de esquerda a fugir do país - e ela também acabou saindo do Chile para viver na Venezuela.


Há ainda momentos de sua conturbada infância, do abandono do pai (que era irmão de Salvador Allende), do segundo casamento da mãe, da relação que foi do amor ao desprezo pelo marido. Paula, sua primogênita, ganha destaque especial no derradeiro episódio.


A minissérie flui com agilidade (até rápida demais) e é impossível desgrudar os olhos diante de uma história de vida tão conturbada e envolvente.


O problema, contudo, está na embalagem e na forma como se conta a trajetória de Isabel, resumida às suas dores e alegrias. A produção é bem modesta para a biografia de uma das personalidades mais consagradas do Chile. Os atores são fracos (incluindo a protagonista, Daniela Ramírez), a recriação de época é ordinária, a direção de fotografia deixa as imagens como cara de novela da Globo da década de 90 e uma melosa trilha sonora pontua os momentos emocionantes.



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