Get Back: o brilhante e mais raro material sobre os Beatles


O último show: imagens inéditas (foto: divulgação)


Sempre admirei a obra e a carreira dos Beatles, mas não posso dizer que sou fã. Sei da importância e da relevância deles na música pop - e The Beatles - Get Back, que está no Disney+, é o melhor documento sobre o Fab Four. A série, de três episódios, é muito longa. Quem não é fã, pode achar repetitiva. Os fãs ficarão fascinados.


Mesmo tendo um distanciamento com os Beatles, é impossível não encontrar predicados. O primeiro é a impressionante qualidade das imagens, que foram gravadas em 1969 e passaram por restauração. Se John Lennon e George Harrisson estivessem vivos, diria que o material foi captado na semana passada.


Peter Jackson (da trilogia O Senhor dos Anéis) é o diretor da série. Ele tinha cerca de 60 horas de gravações, feitas para o documentário Let it Be, lançado em 1970. Jackson ampliou (e muito!) o registro daquela época. Os 81 minutos viraram 467 minutos, divididos em três capítulos, com mais de duas horas cada. São quase 8 horas de Beatles!


O que você vai encontrar é de uma raridade ímpar. Os Beatles já estavam em crise e decidiram fazer um show de despedida e um filme. Conseguiram um estúdio de cinema para ensaiar durante janeiro de 1969. Não sabiam onde seria o espetáculo nem quais canções entrariam no próximo álbum.


O primeiro capítulo é focado nesse impasse. E lá está Paul McCartney compondo Get Back e The Long and Winding Road. E lá está Yoko Ono grudada em John Lennon. E lá está Paul se queixando que, depois que John começou a namorar Yoko, eles se afastaram.


No segundo episódio, John, Paul, Ringo e George voltam para Londres para ensaiar/gravar no estúdio deles. Estão muito mais à vontade e felizes. É notável duas coisas: Paul e John eram os líderes do quarteto e a cumplicidade deles é percebida só pela troca de olhares. Outra impressão que tive: Paul era o mais comprometido, racional, focado, empenhado... Não me julguem!


Como disse acima, não sei se os episódios precisavam ser tão longos. Eles têm momentos reveladores, emocionantes, íntimos. Mas também têm sequências em que uma mesma música é ensaiada várias e várias vezes. O que eu gosto demais é como o diretor Michael Lindsay-Hogg conseguiu, com suas câmeras, colher detalhes minuciosos - e cinco décadas depois, se tornariam um legado precioso dos Beatles.



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