Antonia - Uma Sinfonia: uma mulher à frente de seu tempo


Christanne de Bruijn em Antonia - Uma Sinfonia


Antonia - Uma Sinfonia, na Netflix, é inspirado numa história real e, embora seja uma produção holandesa, é quase todo falado em inglês.


Não conhecia a trajetória da maestrina Antonia Brico e, pesquisando na internet, encontrei informações desencontradas do que é real e do que é mostrado no filme. Mas acho que não importa. Escrito e dirigido por Maria Peters, o longa-metragem tem uma construção romantizada de sua vida, justamente para que se crie uma empatia com uma personagem feminista.


Nascida na Holanda, Willy (Christanne de Bruijn) migrou com os pais para os Estados Unidos. Em 1926, ela é funcionária de um teatro em Nova York e fica fascinada com o trabalho de regência de um conterrâneo. Willy tenta fazer contato com o maestro, mas é demitida. De família humilde, começa a atuar como pianista num cabaré de travestis e a ter aulas de piano com um professor machista. Seu objetivo, porém, é reger uma orquestra sinfônica.


Willy, que adotaria o nome de Antonia (não vou dar spoilers), fica dividida entre a carreira e o amor pelo milionário Frank Thomsen (Benjamin Wainwright). Além do papel de "esposa e mãe" que era delegado às mulheres, a protagonista é vítima de abuso sexual e do ambiente de trabalho misógino.


Por mais que tudo não seja verdade, o roteiro explora bem a trajetória profissional da personagem, com escalas em suas frustrações e êxitos. O romance com Frank, que não aparece em sua biografia real, também tem seus altos e baixos, assim como sua conflituosa relação com os pais.


O que me pareceu pouco provável é a história de seu melhor amigo homossexual - há uma revelação que não me convenceu. O destino de Antonia, desvendado nos letreiros finais, confirma o que se sucedeu ao longo de mais de oitenta anos e que, aos poucos, está mudando: o papel da mulher numa sociedade patriarcal.



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