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Aftersun: um drama sublime para ser sentido


Sophie e Callum: delicada relação entre pai e filha


É fabuloso o domínio na direção da escocesa Charlotte Wells em Aftersun, seu primeiro longa-metragem, disponível na MUBI. A realizadora (e também roteirista) não quer "contar" uma história e, sim, que o espectador "sinta" sua história - e isso faz com que o filme atinja momentos sublimes. Mas já aviso: não é todo mundo que vai gostar, principalmente para quem prefere tramas "certinhas", com começo, meio e fim e respostas fáceis. Aftersun está em outro patamar.



Tudo, aparentemente, é muito simples. Calum (Paul Mescal) tem 30 anos, está separado da esposa e é pai de Sophie (Frankie Corio), de 11 anos. Ele e a filha, em férias num resort na Turquia, aproveitam para estreitar os laços. Basicamente, Aftersun é isso.


Quando você pensa que algo vai acontecer, o roteiro trata de te jogar numa armadilha. A história não vai muito além de conversas triviais, uma pequena discussão, almoços, jantares e partidas de polo aquático na piscina.


Mas o que faz Aftersun ser tão fascinante? Muitas coisas: a sensibilidade, a harmoniosa relação entre pai e filha, a química entre Mescal (da série Normal People) e a estreante Frankie Corio (maravilhosa!), a criatividade na direção, que capta detalhes de gestos e expressões. E, vamos combinar, quem não se emocionar com os dois dançando ao som de Under Pressure, do Queen, tem coração de pedra.





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