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A Viagem de Pedro: um Dom Pedro I descontruído


Cauã Reymond é Dom Pedro I (foto: Fabio Braga)


Achei estranho quando Laís Bodanzky se propôs a fazer um filme sobre Dom Pedro I. Sua filmografia, com bons trabalhos como Bichos de Sete Cabeças e Como Nossos Pais, é toda contemporânea e, convenhamos, o imperador português é uma figura machista e controversa da História do Brasil. Mas quebrei a cara e me surpreendi positivamente com A Viagem de Pedro, em cartaz nos cinemas.


Aviso: A Viagem de Pedro não é convencional, burocrático e careta como Independência ou Morte (1972) nem irreverente como a novela Novo Mundo. É um trabalho autoral (com roteiro de Laís), intimista e, embora tenha uma cuidadosa produção de época, não se detém na grandiosidade estética. Laís quer mostrar um Pedro descontruído - e o faz muito bem.



Em 1831, Pedro (Cauã Reymond) deixa o Brasil para disputar o trono português com seu irmão. O que veremos a partir daí, sempre a bordo de uma fragata inglesa, é um protagonista impotente, doente, cheio de conflitos e assombrado pelo passado - e é bem provável que as alucinações sejam provocadas pela sífilis.



Laís fez seu trabalho mais ambicioso (e ela reconhece isso na entrevista que você confere acima), sobretudo por comandar um elenco internacional num filme falado em vários idiomas. A escolha de Cauã, que se sai bem, é ótima. Ele atua também em inglês e francês, tem a postura de um imperador e a fragilidade de um homem comum.





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