Um Herói: Oscar esnobou um dos melhores do ano


Amir Jadidi: atuação soberba como o presidiário


Considero Asghar Farhadi um dos grandes gênios do cinema atual. Diretor de Procurando Elly (2009), A Separação (2011), O Passado (2013) e O Apartamento (2016), o diretor iraniano só me decepcionou uma única vez, em Todos Já Sabem (2018), uma produção rodada em espanhol com elenco estelar. De volta às raízes, o cineasta retorna gigante em Um Herói, em cartaz nos cinemas.


Seus roteiros têm quase sempre dois lados, dois pontos de vista, o que faz com o que o espectador "participe" ativamente da trama, como se fosse um juiz. Além disso, os desdobramentos das histórias ganham contornos cada vez mais interessantes e imprevisíveis. Um Herói tem tudo isso para abordar a questão de honra de um presidiário.


Rahim Soltani (papel do ótimo Amir Jadidi) está preso por não ter pago uma dívida para seu fiador. Ao conseguir dois dias de folga, ele e a namorada decidem vender algumas moedas de ouro encontradas numa bolsa num ponto de ônibus. Mas

Rahim desiste e decide devolvê-la à dona, sem saber a quem pertence.


A boa ação chega aos ouvidos dos funcionários da cadeia e, ao aparecer na TV para relatar o ocorrido, ele se torna o herói do título. Mas, por causa de uma "mentirinha", o sonho de ganhar a liberdade estará numa corda bamba.


Por mais que eu tenha ido um pouco além na sinopse, Um Herói tem tantas camadas e tantos olhares plurais que, tenho certeza, você vai se surpreender. E, mais uma vez, o Oscar deu uma pisada na bola ao deixar de fora da competição essa pequena obra-prima, assim como o fez com o maravilho Great Freedom.



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