Summer of Soul: o festival black de 1969 saiu do porão


Apresentação de Sly: um furacão no palco


Summer of Soul, disponível no streaming do Telecine, está entre os quinze pré-finalistas ao Oscar 2022 de melhor documentário e deve chegar na reta final. Tem chance, inclusive, de ser o vencedor, já que vem sendo premiado por várias associações de críticos americanos.


Seu título é mais longo: Summer of Soul (...ou Quando a Revolução Não Pôde Ser Televisionada) capta momentos únicos e inéditos da comunidade black de Nova York. As imagens do Festival Cultural do Harlem, de 1969, estavam esquecidas num porão e nunca vieram a público. O documentário tem a missão histórica de resgatar o passado ao mostrar como a música reuniu, pacificamente, numa praça do Harlem, grandes medalhões negros do soul, do funk, do jazz, do blues, do pop e do gospel.


Durante seis semanas do verão, o festival recebeu, entre outros, B.B. King, Stevie Wonder, Nina Simone, Sly and the Family Stone e Mahalia Jackson - e um público de mais de 300 mil pessoas (quase todas negras). As apresentações, enérgicas e acaloradas, ganharam um pano de fundo político-social, sobretudo nas letras das canções de Nina Simone, cantora, compositora e ativista pelos direitos civis dos negros - e uma das qualidades da versão brasileira é legendar as letras.


Além de colaboradores e artistas que participaram do evento, como Stevie Wonder e Gladys Knight, astros da nova geração, como Lin-Manuel Miranda e Chris Rock, são entrevistados para comprovar a importância do Harlem Cultural Festival. Seu valor é gigantesco e seu resgate cultural é imensurável. Mas confesso que senti falta de algo mais vigoroso, incendiário e combatente, justamente para combinar com a revolução do título do filme.



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