Sintonia 2: conflitos menores, entrosamento maior


Doni, Rita e Nando: amigos de infância na série Sintonia (foto: divulgação)


Quase toda sequência de uma série tira do enredo o sabor de novidade. Mas, por outro lado, ficamos mais envolvidos com os dramas e as aventuras dos personagens - e até torcendo por eles! É o que ocorre com a segunda temporada de Sintonia, que vem ocupando os primeiros lugares no ranking da Netflix. Merece!


Gravada na pandemia e com menos episódios (apenas seis), a série dá continuação à "saga" de Nando (Christian Malheiros), Doni (Jottapê) e Rita (Bruna Mascarenhas), amigos de infância de uma favela paulistana, que tomaram rumos distintos na idade adulta.


Na história ambientada em 2019, Nando controla o narcotráfico e virou o número 1 da quebrada. Doni galgou mais alguns passos na carreira de funkeiro e Rita está empenhada em ajudar uma pastora a reabrir uma igreja evangélica.


Por mais que os conflitos sejam inferiores aos da primeira temporada, o entrosamento dos protagonistas/atores está maior. Sempre gostei da maneira que Sintonia trata a amizade do trio sem julgamentos morais. Ninguém critica ou condena Nando por ser traficante nem Rita por ter parado de trabalhar para seguir o caminho evangélico.


E os amores começam a brotar. Enquanto Rita se encanta com o filho engomadinho do pastor, Doni se engraçou com uma influenciadora digital. São lances românticos que dão suavidade à vida perigosa de Nando, cada vez mais envolvido com gente perigosa - e o destaque vai para o "chefão" interpretado pelo grande Marat Descartes.


Sintonia, criação de Kondzilla e direção de Johnny Araújo, abraça um desfecho dilacerante, com gritos de revolta na favela, espelhando, assim, a vida real. A série tem representatividade de mulheres, de negros, de religião e musical. Só acho que faz falta, num contingente vasto, um personagem LGBT - fica a dica para a próxima temporada.



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