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O Amante de Júlia: uma mulher para dois não rola


Rômulo Estrela e Bianca Bin: casal em crise


Vinicius Coimbra é um diretor ousado - isso é fato!. Com vasta experiência na TV Globo (em minisséries como JK e Queridos Amigos), ele já se aventurou no cinema ao adaptar Guimarães Rosa (A Hora e a Vez de Augusto Matraga) e Shakespeare, numa livre versão de Macbeth em A Floresta que se Move. Sua nova façanha, que estreou diretamente no Telecine (pelo streaming e Globoplay) é O Amante de Júlia, inspirado no romance O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence.


O elenco é bom e o ponto de partida também. Júlia (Bianca Bin) casou com Cássio (Rômulo Estrela), mas ele sofreu um acidente e ficou paraplégico. Não pode transar nem ter filhos. O casal se isola numa bela casa na região serrana do Rio (a mesma usada em Queridos Amigos). A esposa insiste em manter relações sexuais - e ele recusa. Lá pelas tantas, a frustrada protagonista corre para os braços e a cama do jardineiro Lucas (Sergio Guizé).


Há situações na trama para "encher linguiça", como a relação lésbica de Júlia com uma amiga (Mel Lisboa) ou a constrangedora cena em que a governanta (Lu Grimaldi) se masturba observando o jardineiro regando as plantas com uma mangueira. A falta de sutileza dá vergonha alheia.


A história do livro, que escandalizou a sociedade na década de 1920, poderia trazer à tona assuntos pertinentes, só que modernizados, como a traição consentida ou o machismo estrutural. Mas O Amante de Júlia promete muito e cumpre pouco.





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