Let Them All Talk: Meryl Streep entra numa barca furada


A atriz interpreta uma escritora: arrogância e enfado (foto: divulgação)


Steven Soderbergh é um diretor de altos e baixos. Fez filmes notáveis, como os da trilogia Onze Homens e um Segredo, mas também errou feio, como na nova versão de Solaris ou no entediante O Desinformante! A HBO Max tem dois novos filmes do realizador e eu comecei, com muita expectativa, por Let Them All Talk. Trata-se do segundo trabalho de Soderbergh com a diva Meryl Streep, após o fracasso de A Lavanderia.


Tinha tudo para dar certo: locação dentro de um transatlântico, elenco saboroso (com as veteranas Meryl, Candice Bergen e Dianne Wiest e o jovem Lucas Hedges) e um ótimo ponto de partida. Só que a reunião de amigas da faculdade naufraga em situações que não se desenvolvem a contento.


Meryl interpreta Alice, uma escritora americana, ganhadora do prêmio Pulitzer, que vai receber uma homenagem em Londres. Como ela não viaja de avião, decide embarcar no luxuoso Queen Mary 2. É o momento, então, de convidar suas colegas de universidade para colocar o papo em dia, enquanto rascunha as ideias para seu próximo livro. O sobrinho de Alice (Lucas Hedges) servirá de companhia para as senhoras.


Roberta (Candice Bergen) perdeu suas economias no divórcio e tem certeza que Alice se aproveitou de sua história para escrever seu best-seller. Ela quer um reparo financeiro e um pedido de desculpas. Mas, para isso, precisa despejar suas mágoas na amiga. Convenhamos: há um ótimo conflito a bordo. O roteiro, contudo, dá voltas e voltas e a tensa conversa entre elas demora muito a aflorar.


Steven Soderbergh também perde a chance de deixar seu elenco brilhar. Eu AMO Meryl, mas sua cara de enfado e arrogância compromete a empatia ou a antipatia por sua Alice. Candice e Dianne Wiest (uma das musas de Woody Allen nos anos 80) cumprem apenas o protocolo. Hedges, num papel infeliz, parece um peixe fora do aquário, se debatendo para encontrar um rumo ou sentido para seu personagem.


Let Them All Talk se assume como comédia e há momentos divertidos, mas o roteiro da estreante Deborah Eisenberg, sabe-se lá porquê, dá uma guinada para o drama. É algo que surpreende - no mau sentido. No final das contas, o filme se assemelha a uma viagem de cruzeiro: tem momentos festivos e entediantes, muito conversa jogada fora e um destino certo, porém com uma atracação forçada.



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