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Great Freedom: o Oscar ignorou o melhor filme


O abraço de Hans: três momentos num presídio da Alemanha Ocidental (foto: divulgação MUBI)


Vi vários títulos indicados ao Oscar 2022 de melhor filme internacional, como A Felicidade das Pequenas Coisas e A Pior Pessoa do Mundo, além do vencedor Drive My Car. Nenhum deles me chamou mais a atenção e me deixou mais desconcertado do que Great Freedom, o representante da Áustria, que ficou apenas em entre os quinze pré-finalistas, e está disponível com exclusividade na MUBI.



O tema é pesado e tratado com contundência. A história começa com Hans (Franz Rogowski), judeu e gay, sendo preso por fazer sexo com outros homens em banheiros públicos. Estamos na Alemanha Ocidental de 1968, onde a homossexualidade era crime. Entre as grades, Hans reencontra Viktor (Georg Friedrich), seu ex-parceiro de cela, com quem desenvolveu uma amizade.


A engenhosa trama, que vai e volta no tempo, se concentra também nos anos de 1945 e 1957 e mostra como o mesmo Hans saiu massacrado de um campo de concentração e, na década de 50, foi preso por namorar um professor.


O protagonista, interpretado com uma intensidade ímpar por Franz Rogowski, é um personagem fascinante do ponto de vista psicológico: o homem que, por causa de sua orientação sexual, foi castigado na pele e na alma e, no presídio, encontrou seu porto seguro.


São eficientes registros de épocas sobre os avanços (ou não) dos direitos dos homossexuais num trabalho de costura dramática impecável. Great Freedom já está na minha lista dos melhores do ano.




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