Em um Bairro de Nova York: por que o musical é morno?


Usnavi e Vanessa: casal sem química


Gosto de musicais - quando são bons! Dos anos 2000, consigo lembrar de Moulin Rouge, Chicago, Hairspray e La La Land, o meu favorito. E fui com muita sede ao pote assistir a Em um Bairro de Nova York, que estreou na HBO Max. Afinal, tem músicas compostas por Lin-Manuel Miranda, o grande nome por trás de Hamilton, estrondoso sucesso da Broadway. Mas o filme me deixou decepcionado.


In the Heights, título original do longa-metragem e também um espetáculo de 2009 da Broadway, é transposto para as telas com a mesma trilha sonora de Lin-Manuel Miranda e o roteiro de Quiara Alegría Hudes. O bairro é o Washington Heights, ao norte da ilha de Manhattan, onde está concentrada a comunidade latina de Nova York.


O protagonista, Usnavi (Anthony Ramos), tem raízes na República Dominicana, toca um mercadinho em Washington Heights e quer voltar ao país natal levando junto seu primo adolescente (a revelação Gregory Diaz IV). Talvez o que o impeça de deixar os Estados Unidos é a atração que sente pela manicure Vanessa (Melissa Barrera). O outro casal é formado por Benny (Corey Hawkins) e Nina (Leslie Gracie), que, contrariando a história de seus conterrâneos, conseguiu estudar na prestigiada Universidade Stanford.


Lin-Manuel Miranda é de origem porto-riquenha e a homenagem à comunidade é positiva e aponta para a representatividade. Os personagens secundários são clichês, porém cativantes, como as cabeleireiras fofoqueiras e a vovozinha cristã que aposta na loteria para melhorar de vida. Há uma crítica consistente ao preconceito dos norte-americanos contra os latinos e também é bacana o registro do calor infernal que se abate sofre Nova York durante o verão.


E os deslizes? Os dois casais de protagonistas não têm química nem carisma - fica difícil torcer pelo romance deles, ao contrário de Mia e Sebastian em La La Land. A trilha sonora é tão vibrante, com salsas e raps, mas as coreografias dos números musicais são mornas ou chochas. Vibrei apenas num único momento: a sequência numa piscina pública, onde se nota algo mais criativo. Ou seja: para um musical é muito pouco e, por isso, Em um Bairro de Nova York não me empolgou.



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