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Cine Ceará: o festival foi lindo, mas os vencedores...


Os vencedores no palco (foto: Rogerio Resende)


Fortaleza é linda e o Cine Ceará foi um espetáculo, com exibições incríveis na telona do Cineteatro São Luiz, um cinema de rua (de 65 anos) no centro da cidade. Mas os vencedores das principais categorias não me agradaram. É normal. Quase sempre acontecem injustiças nos festivais.


Era unanimidade entre críticos e jornalistas que o melhor filme (de longe) era o chileno O Castigo, mas o júri preferiu o cubano A Mulher Selvagem, sobre uma mãe tentando localizar seu filho adolescente em Havana. O diretor Alán González e a atriz Lola Amores ficaram em Fortaleza uma semana e saíram felizes com seus troféus. Ela mereceu o prêmio. E Alán é muito simpático, tanto que fiz uma entrevista com ele, dias antes de saber que seria o grande vencedor do Cine Ceará.


Outra injustiça foi a argentina (muy simpática também) María Zanetti levar dois prêmios importantes: melhor direção e melhor roteiro por Alemanha, um delicado filme autobiográfico sobre as memória da adolescência da realizadora.


Eu digo injustiça porque na minha opinião (e da maioria dos meus colegas) todos esses prêmios deveriam ter ido para O Castigo. O chileno Matías Bize faz um trabalho excepcional, filmando num único plano-sequência, de 85 minutos, uma história tensa, sobre um casal que, para castigar o filho hiperativo, deixa o pequeno, por dois minutos, à beira de uma estrada. Quando voltam para resgatá-lo, o menino desapareceu. Além da técnica fabulosa (não à toa levou o prêmio de melhor fotografia), O Castigo traz um debate oportuno sobre a maternidade.


Depois dos longas ibero-americanos, vou reclamar (risos) da premiação dos curtas brasileiros. Um dos piores filmes da competição, para mim, era o cearense Os Finais de Domingos, um retrato extremamente pessimista da homossexualidade na velhice. E foi, justamente, o preferido do júri. Não entendi essa decisão, já que outros candidatos, como Aquela Mulher, Diafragma e Pulmão de Pedra eram bem melhores.

Quem mais acertou no resultado foram os críticos da Abraccine e o júri do Canal Brasil, que escolheram Pulmão de Pedra como melhor curta. A Abraccine também preferiu o chileno O Castigo. Desta vez, eu concordei com a crítica.


Os vencedores do Cine Ceará


MOSTRA IBERO-AMERICANA DE LONGA-METRAGEM


Melhor Longa-metragem

“A mulher selvagem”, de Alan González


Melhor Direção

María Zanetti, por “Alemanha


Melhor Atuação Principal

Lola Amores, por “A mulher selvagem”

Melhor Atuação

Coletivo de atores do filme “Sou amor”


Melhor Roteiro

María Zanetti, por “Alemanha’

Melhor Fotografia

O castigo

Melhor Montagem

Agora a luz cai vertical

Melhor Trilha Sonora

Céu aberto

Melhor Som

A mulher selvagem


Melhor Direção de Arte

Alemanha


MOSTRA BRASILEIRA DE CURTA-METRAGEM


Melhor Curta-metragem

Os finais de Domingos

Melhor Direção

Leo Tabosa, por “Dinho”

Melhor Roteiro

Pulmão de Pedra

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