Casa Gucci: tão fake quanto o sotaque do elenco


Adam Driver e Lady Gaga (foto: divulgação)


Casa Gucci, em cartaz nos cinemas, me decepcionou. Os problemas são muitos, as qualidades são poucas. Vou tentar enumerar algumas sem dar spoilers.


Primeiro: já nas filmagens, foi divulgado qual seria o "tema" do filme - o fato revelado só acontece nos últimos minutos. Não sabe do que se trata? Não leia nada a respeito.


Segundo: realizar um filme desse porte durante a pandemia na Itália foi um erro. Ele tornou-se menor, menos glamouroso e grandioso, com a maioria das tomadas externas em planos fechados. O lançamento se dá seis meses depois do fim das filmagens. Ou seja: o resultado só poderia dar em algo feito às pressas, com uma montagem confusa, cenas dispensáveis e assuntos importantíssimos deixados de escateio.


Nenhum dos atores me impressionou. Lady Gaga tem uma presença forte, mas não consegue um único momento arrebatador, como em Nasce uma Estrela. Adam Driver está burocrático. Os veteranos Al Pacino e Jeremy Irons se saem melhor. Salma Hayek, de feiticeira midiática, é patética. E Jared Leto merece ir ao Oscar - de melhor maquiagem!


Ridley Scott dirige no automático, mas o maior dos problemas está no roteiro, inspirado no livro homônimo, de Sara Gay Forden, lançado no Brasil pela editora Seoman. Os diálogos ora são didáticos, ora são inconvincentes. E me irritou o sotaque "italianês" do elenco. Porca miséria!


Casa Gucci começa em 1978 quando Maurizio Gucci (Adam Driver) conheceu Patrizia Reggiani (Lady Gaga) - na verdade, isso ocorreu em 1972. Ele era herdeiro da emblemática grife de moda e a jovem vinha de uma família de classe média - o pai dela tinha uma empresa de transporte rodoviário.


Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), pai de Maurizio, enxergou na namorada do filho uma alpinista social e proibiu o relacionamento. Maurizio deu addio ao pai, foi morar com os futuros sogros e trabalhar como lavador de caminhões. Quem melhor acolheu o casal foi Aldo Gucci (Al Pacino), o tio fofo que morava em Nova York e gerenciava os negócios da família. Jared Leto, irreconhecível sob a ótima maquiagem, interpreta seu filho bobão que quer ser estilista. Vou parar por aqui.


O filme tem mais de duas horas e meia e provoca certo envolvimento, embora sua história não seja bem contada. Às vezes, lembra as novelas de Glória Perez, com os personagens transitando de Milão para Nova York, entre uma cena e outra, como se fossem cidades vizinhas.



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