Abercrombie & Fitch: a marca que afundou pela exclusão


Montagem com foto da Netflix (à direita)


Nos anos 90, minhas irmãs viajaram para Los Angeles e me trouxeram um casaco de inverno que tenho até hoje. Até então, nunca tinha ouvido falar de Abercrombie & Fitch. Em uma das minhas últimas visitas a Nova York, entrei na loja da Quinta Avenida e saí correndo. Motivo? Preços caros (para meu bolso), atendentes desatenciosos, iluminação escura e música alta. Não é à toa que a marca sofreu uma derrocada em meados dos anos 2010, conforme explica o documentário Abercrombie & Fitch: Ascensão e Queda, da Netflix.


Embora sua fundação date do final do século 19, a Abercrombie & Fitch ganhou uma repaginada na década de 80. O CEO, Mike Jeffries, fez história com um marketing agressivo - e excludente! Chamou o badalado fotógrafo Bruce Weber para clicar homens lindos, sarados e brancos, em poses sensuais. A intenção dele era fisgar o público teen da classe média alta americana e conquistou seu objetivo. Até que a Abercrombie & Fitch não mais se adaptou ao mundo da diversidade e passou a ser rotulada como uma marca racista.


O filme traz entrevistas de ex-funcionários, incluindo um diretor negro, contratado para trabalhar a diversidade na empresa. O contraste vem por meio de depoimentos de pessoas que, fora do "padrão", foram demitidas e não se calaram.


Lá nos anos 80 e 90, quando a Abercrombie & Fitch, era sinônimo de sucesso, eu, um homem branco, não percebia a exclusão racista. Achava lindo o catálogo com as fotografias de Bruce Weber (posteriormente, acusado por modelos masculinos de assédio) e amava o cheiro do perfume Fierce.


Felizmente, o mundo vem mudando para abrir nossos olhos - e o documentário é um exemplo não só da pauta antirracista, mas também de como um um só homem, Mike Jeffries (que não deu declarações), e sua postura de exclusão fizeram um Titanic quase afundar.



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