A Filha Perdida: as crises e os dilemas da maternidade


Olivia Colman: grande atriz que deve concorrer ao Oscar 2022 (foto: divulgação Netflix)


Leda (Olivia Colman) é uma professora inglesa, radicada nos Estados Unidos, que passa as férias sozinha numa ilha da Grécia. Na primeira cena de A Filha Perdida, da Netflix, Leda está ferida e cai na beira do mar. A trama, então, volta alguns dias para mostrar desde sua chegada numa pousada.


A protagonista é arredia a converdas e amizades, sobretudo com uma família que chega para tomar conta de seu tranquilo espaço na praia. Eles são barulhentos e, por vezes, ameaçadores. A única que escapa do estereótipo dissimulado do clã é Nina (Dakota Johnson), uma jovem mãe que, sem muita paciência, é obrigada a atender aos desejos da pequena filha. Leda e Nina vão ficar próximas.


Já li comentários nas redes sociais que essa adaptação do livro da italiana Elena Ferrante cai como uma luva para as mulheres, principalmente as que são mães. Faz sentido. A Filha Perdida é um filme que toca no tema da maternidade de uma forma sólida e empática - e fica impossível não se identificar com a jovem Leda (papel de Jessie Buckley) tendo de cuidar de duas filhas sem a presença do marido.


A desconstrução da personagem principal vem acompanhada de um passado nebuloso e sofrido e, por isso mesmo, carregado de angústias e insatisfações. Nina é um reflexo do que foi Leda na juventude. E Olivia Colman, forte candidata ao Oscar 2022, se "desfaz" diante das lentes de Maggie Gyllenhaal, a atriz que faz uma bela estreia na direção de um longa-metragem.


Mesmo com várias qualidades, não acho A Filha Perdida perfeito. Por mais que se assemelhe ao livro de Elena Ferrante, me incomoda o maneirismo dos flashbacks. Além disso, a ameaça que a família de Nina faz a Leda não se concretiza. O suspense se impõe em muitos momentos, levando o espectador por um caminho que, de certa forma frustrante, morre na praia.



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