A 200 Metros: a aflitiva jornada de um palestino em Israel


Mustafa e a imensa fila para poder entrar em Israel


Israel é um pouco maior do que Sergipe e, mesmo num espaço pequeno, os contrastes são muitos. O país, dividido entre árabes e judeus, tem regras rígidas com relação aos palestinos. E é isso que mostra o fabuloso drama A 200 Metros, na Netflix, candidato da Jordânia ao Oscar 2021.


Mustafa (Ali Suliman) tem duas casas, que são divididas por um muro imposto pelo governo. Ele mora na Cisjordânia e sua mulher e filhos ficam no lado de Israel. Como não tem nacionalidade israelense, Mustafa não pode viver com a família. Prefere ir trabalhar todos os dias em Israel e passar por burocráticas barreiras de controle - e a trama mostra detalhadamente o cansativo processo.


A pior jornada de Mustafa começa quando seu filho é internado num hospital de Israel. Como seu passe expirou, ele só vai poder entrar clandestinamente. Começa aí um longo percurso pelas estradas, com companheiros de viagem numa van que também vão se arriscar nas fronteiras.


A 200 Metros é o primeiro longa-metragem do cineasta palestino Ameen Nayfeh, que entrega um filme que transita entre a tragicomédia e o drama aflitivo. As situações em que são colocados os personagens beiram o surreal, mas os laços que nascem entre eles passam pela verdade e pela empatia. O realizador não quer ser panfletário nem tomar posição política explícita. Prefere, simplesmente, mostrar a realidade cotidiana.



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