King Richard: até onde vai um pai pelo futuro das filhas?


Serena, Venus e o pai: Will Smith no Oscar?


Venus e Serena Williams são irmãs, tenistas e campeãs mundiais. Negras, de origem humilde e moradoras na adolescência de um bairro perigoso de Compton, na Califórnia, elas chegaram ao topo do esporte por causa do pai. Pelo menos é isso que mostra o filme King Richard - Criando Campeãs, disponível na HBO Max e em plataformas de aluguel, como o NOW.


Will Smith, vencedor do Globo de Ouro e cotado para o Oscar, defende muito bem o papel de Richard Williams. Segurança à noite e entregador de lista telefônica durante o dia, ele sempre arranjava um tempinho para treinar as filhas. Pai de mais de três garotas, Richard dava atenção dobrada a Venus (Saniyya Sidney) e a Serena (Demi Singleton) porque tinha certeza do talento das meninas nas quadras.


O problema era a falta de dinheiro. Em um esporte caro e elitista, ele precisa de um patrocinador, que nunca chegava. Até que o treinador dos gigantes John McEnroe e Pete Sampras acatou o pedido de Richard. Mas só pôde treinar uma das irmãs.


King Richard é longo (duas horas e meia) e cobre um período de três anos (1991 a 1994). Gosto do recorte porque dá uma intensidade maior às situações. Acho ótimo também como o roteiro explora o caráter complexo do protagonista. Ao mesmo tempo em que Richard se mostra um pai dedicado e amoroso, sua persistência e obstinação poderia ser um fardo para as filhas.


O mesmo dá para ser dito sobre a "rentabilização" das meninas. Richard as proibiu de disputar torneios juvenis por serem crianças e não querer que passassem por um esgotamento mental. Mas será que, por trás da imagem de pai zeloso, não havia um empresário correndo atrás do prejuízo? A ambiguidade do personagem só enriquece o filme ao trazer uma reflexão sobre os limites paternos/maternos da educação dos filhos.



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