A Candidata Perfeita: como é ser mulher na Arábia Saudita


A doutora Maryam: luta contra o sistema machista


São raríssimos os filmes da Arábia Saudita que chegam por aqui. Além de ser um bom exemplo da cinematografia saudita, A Candidata Perfeita, que está no Telecine (pelo streaming, NOW e Globoplay) é um trabalho mais do que necessário da diretora Haifaa Al-Mansour.


Logo na primeira sequência, nota-se o preconceito, por questões religiosas e sociais, dos homens contra as mulheres. Maryam (Mila Al Zahrani) é médica, trabalha numa clínica popular e é a única doutora disponível para atender um senhor. O idoso se recusa. O chefe de Maryam, ao invés de apoiá-la, dá razão ao paciente e pede aos enfermeiros que tratem dele. Esse é o cotidiano das mulheres na Arábia Saudita, que devem usar a abaya, a roupa preta que só deixa os olhos à mostra, e serem passivamente obedientes aos pais e maridos, num país sexista e patriarcal.


Mas o sangue de Maryam ferve e ela não quer se privar dos estudos e de progredir na carreira. A moça tenta embarcar para um congresso em Dubai, mas, por conta do destino, acaba se inscrevendo como candidata a uma vaga na secretaria municipal. Mesmo sem experiência, tentará ganhar a eleição.


A Candidata Perfeita foi o longa-metragem para representar a Arábia Saudita no Oscar 2021. A realizadora cutuca uma ferida milenar, mas o faz com razão e sensibilidade, sem ser agressiva ou contundente. Apresenta o registro de uma pequena cidade que sofre com as carências públicas e retardam o concerto da calçada que dá acesso à clínica onde Maryam trabalha - e, veja só, este é principal objetivo de sua campanha.


Gosto muito de como a cineasta e roteirista termina sua história realista, mesclando uma suposta felicidade com a melancolia perene.



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