Por que Matei Minha Família?: um banho de água fria


O garoto: assassino do pai, da mãe e das irmãs


Fiquei decepcionado com a minissérie documental israelense Por que Matei Minha Família?, na Netflix. A premissa é muito chocante. Em Jerusalém, na madrugada do dia 22 de fevereiro de 1986, Nissim Cohen, de 44 anos, sua esposa, de 40, e duas filhas, de 19 e 18, foram assassinados à queima-roupa com tiros de um rifle M-16. O único sobrevivente foi o filho, de 13 para 14 anos, que confessou os crimes, alegando ter cometido a chacina a mando de uma "criatura verde".


São quatro episódios, em torno de 40 minutos cada, para esclarecer a pergunta do título. Mas ela nunca chega. Professoras, policiais, jornalistas, legistas, amigos, vizinhos, um psiquiatra, o promotor do caso e o advogado do menino dão depoimentos, mas só mesmo para relembrar o que se passou nos dias (ou anos) seguintes. O garoto jamais demonstrou arrependimento e era frio como uma pedra de gelo, além de ter uma inteligência fora do normal.


A dupla de cineastas Asaf Sudri e Tali Shemesh até tenta arrancar o verdadeiro motivo do advogado do "monstro", mas ele sempre desconversa.


Além da frustração pela (não) conclusão, a realização também deixa a desejar. Como faltam imagens da família (em vídeos ou fotos), os diretores usam sempre as mesmas, o que só torna a realização sem inspiração e repetitiva. Ou seja: depois de ver ótimas minisséries documentais, Por que Matei Minha Família? foi, para mim, como um banho de água.


Spoiler abaixo!


O nome do assassino nunca veio à tona. Quando a série estreou em Israel, no fim de dezembro de 2020, os internautas, revoltados com a resolução do caso, foram atrás e descobriram sua identidade. Nem isso a série se deu o trabalho de fazer. Ele se casou, teve um filho e, com a nova repercussão, 35 anos depois, foi demitido do emprego.



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