Identidade: duas amigas, dois pontos de vista do racismo


Clare e Irene: amigas do Harlem (foto: Netflix)


Rebecca Hall é uma atriz inglesa de 39 anos, que atuou em filmes como Vicky Cristina Barcelona, Um Dia de Chuva em Nova York e Godzilla vs. Kong. Nunca me chamou a atenção como intérprete, mas, na direção, Rebecca é uma revelação surpreendente. Ela assina como diretora e roteirista de Identidade, disponível na Netflix, inspirado no livro de Nella Larsen (1891-1964).


Nella foi uma escritora negra e a história trata do racismo na Nova York do fim da década de 20. Irene (Tessa Thompson) é negra e esconde o rosto debaixo de um chapéu quando vai às compras em Manhattan. Ela é casada com um médico bem-sucedido, tem dois filhos e mora no Harlem. Ao entrar num refinado hotel, é reconhecida por Clare (Ruth Negga), uma amiga do passado, que casou com um racista banqueiro branco.


Mas como pode uma negra casar com um racista branco? Eis o que move a trama de Passing (título original), sobre a mulher que nega as raízes e se faz passar por branca.


Como o filme é curtinho, vou parar por aqui. Mais do que a própria história que, embora instigante, poderia render algo mais explosivo e catártico, Identidade me deixou de olhos arregalados pela direção de Rebecca Hall. A atriz manda muito bem na direção do elenco (Ruth Negga tem chance de ser indicada ao Oscar) e nos enquadramentos que fogem do lugar-comum. A fotografia, toda em preto e branco, também é um espetáculo e combina com o propósito do filme - não saber exatamente o tom da pele das amigas.



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